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Minha história com a SPRGS

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Publicado por em Minha história · 18 Maio 2020
Minha história com a SPRGS
Ivone Coelho de Souza
Em 2013, coincidindo com mais um período regular de troca de lideranças, a Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul via-se sacudida por uma série de impasses internos preocupantes a ponto de propor-se o fim da entidade, aos 54 anos, como “solução final” à suposta incapacidade de emergir da grave crise que se observava.

Repercutia assim, grande desconforto entre os associados, com ansiedades disseminadas e incerteza sobre a evolução possível para a instituição.   

Entretanto, quando a SP viu-se surpreendida na condição de RÉ ante a Justiça gaúcha por queixa oriunda da própria sociedade, o desânimo inicial rapidamente foi substituído por generalizado desejo de resposta. Manifestações de rechaço ao ocorrido se exacerbaram de forma organizada, iniciando uma forte reação de protesto. Assim, repudiado pelo associado e por maioria manifesta de ex Presidentes, este acontecimento  trouxe a necessidade de propor algumas medidas emergenciais que pudessem resgatar a longa tradição da SP, abalada pelo ineditismo da situação e pelo grau de ataque perpetrado.  Publicamente, a questão interna começava a transparecer fora do âmbito da Sociedade.

A esta altura dos acontecimentos, colegas de longa participação, principalmente, e de contribuições importantes tentavam refletir sobre prováveis conflitos bem anteriores, que pudessem, por hipótese, reforçar o quadro de instabilidades. Mas quais seriam? Certamente não de tão fácil acesso. Teria de fato a SP, de tradição cientifico - cultural reconhecida, não dado igual espaço e atenção suficientes a determinadas crises mal resolvidas ou problemas não de todo apreciados? De qualquer forma, teria agora lugar um quadro ainda mais denso e amplo, dificilmente equacionado a tempo de intervir sobre as emergências apresentadas.

Frente a este panorama complexo, em uma das tantas Assembleias Gerais Extraordinárias Permanentes convocadas para encaminhamento das questões, implantou-se um grupo de trabalho independente, integrado por colegas com experiência de participação na entidade, um Colegiado, justamente constituído para assumir a SP, uma vez destituída a Diretoria em exercício. Dele faziam parte as psicólogas Ana Claudia Meira, Eluza Henk, Inúbia Duarte, Ivone Coelho de Souza, Maria Matilde Sanchez e Tatiana Blochstein. Todo este processo foi acompanhado e referendado, obviamente, pelo Conselho Consultivo Deliberativo e Fiscal que prolongava seu mandato por força da decisão da AGEP. A este grupo de transição foi então delegado o comando emergencial da instituição até que, serenados os ânimos, houvesse condições para retomada da normalidade. Novamente, um acontecimento inédito na história da SP.

De imediato após a AGEP de outubro/2013, iniciados os trabalhos, o grupo de seis colegas propôs-se à observação da dinâmica e do acompanhamento detalhado do funcionamento da casa, com vistas à manutenção das atividades, tanto técnicas e culturais quanto de Secretaria, serviços bancários, contatos com os profissionais assessores, como advogados e contadores, com entidades afins, quer dizer, toda a estrutura de funcionamento da SP. Enfim, o prosseguimento da vida da SP, abalada pelas disputas anteriores.

O Colegiado familiarizava-se com a dinâmica administrativa para atingir seu principal objetivo e razão: a sucessão na SP, percebida como o mais forte desencadeante dos conflitos. Tudo isto, rigorosamente em acordo com o Estatuto vigente, dando em tempo previsto, posse aos eleitos após gerenciamento e acompanhamento de novo processo eleitoral convocado. Desta forma aqui descrita resumidamente, envolta em clima algo confuso e incerto pelo próprio ineditismo da situação, foi viabilizada a missão de religamento entre algumas partes desgastadas da nossa instituição a serem preservadas e restauradas, ao mesmo tempo que outras, se apresentavam para serem posteriormente contempladas.

O tempo despendido, não foi de fato tão longo, cronologicamente falando. Mas exigiu um grande esforço do Colegiado, também abalado pelas causas que lhe deram origem e pelos compromissos assumidos interna e externamente em nome do corpo associado. O fortalecimento da SP e suas necessidades de adaptação e sintonia com o colega sócio, com as demais entidades, enfim, todo um universo de relacionamentos e vínculos, além da credibilidade perturbada pelos recentes descompassos, permanecia como um desafio a ser enfrentado com cautela.  

Foi preciso um investimento sólido sobre uma organização ainda temerosa quanto a seus rumos, fragilizada por tantos traumas emergentes; foi preciso em tempo restrito para tanto, debruçar-se em uma organização em busca do seu prosseguimento “saudável”.

Decorrido já algum tempo para avaliar a experiência, foi possível supor que a SP denotou, ao ultrapassar esta etapa de ameaças à sua sobrevivência, capacidade de fazer dela um valioso instrumento de aprendizado e solidez.

Afinal, estas devem ter sido as expectativas do associado ao depositar sua confiança e suas esperanças sobre o grupo Colegiado na histórica e dramática Assembléia Geral Extraordinária Permanente de outubro de 2013.






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