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"Vou lhes contar um “quase segredo”: custei muito a acreditar que valesse a pena me associar à, então, jovem SPRGS. Filhos pequenos, forte investimento na carreira profissional... tudo ao redor me fazia pensar em “falta de tempo”. Aos poucos, porém, comecei a compreender e a me entusiasmar pela “filosofia de vida” que deu origem e sempre sustentou à Sociedade: acolher, congregar, representar, aprimorar... Foi a influência de alguns queridos colegas que, um pouco mais adiante, me fez aderir e, imediatamente, “vestir a camiseta”.

Desde logo, eu me senti pertencente, passei a fazer parte de grupos, a participar de diversas atividades propostas, estabelecendo trocas mutuamente vantajosas. Muito de mim, eu dediquei e tenho dedicado à Sociedade; e muito de mim, do que tenho construído ao longo de minha vida pessoal e profissional, eu devo à Sociedade. Aqui a gente se encontra, se revela e se descobre. Aqui a gente cultiva laços de amizade, compartilha idéias e ideais, estuda, reflete, realiza, constrói.

Impossível imaginar a construção de minha carreira, enquanto psicoterapeuta individual, de casais e de famílias, escritora, docente e supervisora nas referidas áreas, sem este meio do qual participo e em relação ao qual tenho tanto amor. Penso em, daqui a alguns meses, diminuir o tempo investido, mas não consigo me imaginar desligada, pois estes laços fazem parte de meu ser, como eu bem sei que fazem parte do ser de inúmeros colegas. Adoraria ver muito mais estudantes e profissionais da psicologia fazendo parte da Sociedade e, como eu e tantos outros, tornarem-se “jubilosos-jubilados”: há mais de 25 anos, efetivamente, sócios ou, por excelência, “parceiros de viagem”."


Iara Camaratta Anton (presidente gestão 2009/2011)
"Pelos 51 anos da nossa querida Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, gostaria de prestar uma homenagem. Por sua história que foi determinante na definição da identidade dos psicólogos gaúchos e por todo o trabalho que já prestou. Lembro que me associei à Sociedade ainda estudante e foi para mim uma primeira referência profissional. Já na época era uma entidade sólida. Transmitia seriedade e possibilidade de discussão acerca do fazer do psicólogo, que para mim, era incipiente.

Entretanto, sabia que lá estava um grupo de profissionais confiável e me aproximei inúmeras vezes. Em certo momento fiz parte da comissão científica, então coordenada pela Ligia Arcoverde e, mais tarde, durante a gestão da Inúbia, coordenei a mesma comissão. Recordo ter sido um tempo borbulhante e cheio de inovações, discussões científicas e políticas interessantes. Vivi tão intensamente a Sociedade de Psicologia nesse período, que sentia ser um pouco da minha casa.

Hoje a Sociedade de Psicologia é como a velha e inesquecível casa da infância, a qual temos uma intimidade mesmo estando a certa distância e sentimos um carinho muito especial. Entretanto sei que outros colegas estão cuidando da casa com o mesmo carinho que tive. A todos que estão nesse lugar agora, o meu carinho. Obrigada."

Beth Cimenti
Minha adesão a SP foi de rompante. Eram tempos menos formalizados, um grupo pequeno que tocava uma instituição ainda nascente.

Pois é, nem bem tinha assinado ficha e já era Diretora Financeira, para o que fui até reeleita num segundo mandato. Uma temeridade! Como ainda hoje, nada entendia de finanças, o orçamento era minguadíssimo para as aspirações que a gente já tinha, acampados em uma sala pequenina nos altos da antiga Casa Sloper.

Desde lá, segui participando, apoiando como podia todas as Diretorias de que me lembro, num jeito que depois de algum tempo, começaram os colegas a me assediar para que participasse encabeçando uma chapa. Esperneei como pude até que um sentimento de risco me impeliu a aceitar em 1995, depois de haver passado por várias funções e começar a desconfiar que estava conhecendo a casa.

Foi suado e sofrido, especialmente no início, mas tive a sorte de contar com um Conselho participativo, atuante, além, claro de uma Diretoria de primeira...

O número de sócios aumentou, reformamos e registramos os Estatutos, chamamos os antigos sócios, e de repentes como diz o gaúcho, já não éramos assim tão pobres... A sede própria está ai, uma soma dos esforços de tanta gente.

O sentimento de dúvida e angústia que me inquietaram para começar e dar seguimento a um trabalho, no fim, se transformou em tristeza, queria ficar por lá, me queixando, mas ficando... Mesmo confiante nas colegas que me sucederam, sentia-me abandonada pelo aconchego e reforço de identidade profissional que sempre usufrui na SP.

Continuo desembestando hoje neste mesmo o ponto, cultivar, como em jardins, um canto orientado para este suporte. E não apenas para os colegas mais jovens ou emergentes das universidades, mas para todos, por razões diferentes, por razões idênticas.

Quem sabe por isto quase sempre reajo com sensações melancólicas, de esvaziamento, quando percebo que a acolhida a esta nossa casa não é ainda tão cálida como poderia ser, quando percebo que tantos psicólogos não se permitem acolher pela nossa casa.

Ivone Coelho de Souza - ex-presidente da SPRGS